Entrevista: vida de escritor

Hoje à tarde fui surpreendido com a visita de meu primo Daniel Raposo da Câmara Arboés, aluno do Ensino Fundamental em Carnaúba dos Dantas, que fez uma pequena entrevista comigo para um jornal da escola. Segue, abaixo, o texto das respostas da entrevista.

 

DANIEL: Seu nome completo e sua data de nascimento.

HELDER: Helder Alexandre Medeiros de Macedo. Nasci em 22 de novembro de 1979, em Currais Novos, mas, sou, acima de tudo, seridoense de Carnaúba dos Dantas.

DANIEL: O que você faz? Sua profissão?

HELDER: Sou historiador e professor de História. Hoje, infelizmente, estou fora de sala de aula devido ao meu envolvimento com a pós-graduação, mas, espero, em breve, retornar aos bancos escolares.

DANIEL: Qual é sua formação?

HELDER: Fiz minha graduação em História, entre 1997 e 2002, no Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), Campus de Caicó, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), numa época onde se fazia licenciatura e bacharelado ao mesmo tempo. Depois, entre 2003 e 2005, fiz especialização, também no CERES/Caicó, em Patrimônio Histórico-Cultural e Turismo. Parti para Natal, onde, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN fiz o mestrado em História, entre 2005 e 2007. Atualmente sou estudante do doutorado em História da Universidade Federal de Pernambuco.

DANIEL: Sabemos que, além de historiador, você também é escritor. Quando e qual motivo te levou a ser um escritor?

HELDER: Acho que não teve um motivo forte para que eu me tornasse escritor. Sempre fui apaixonado pela leitura e pela escrita, principalmente pelo incentivo da minha família: meu avô, Hermes de Azevêdo Dantas (Gambão), era vendedor de revistas, sempre me presenteando com exemplares das revistas em quadrinho (sem capa) que ele trazia para vender em Carnaúba dos Dantas; minha vó, Aurisci Medeiros, desde que “me entendo de gente” que a conheço lendo muito e escrevendo; minha mãe, Helenice Medeiros, é professora e foi minha alfabetizadora, em casa. Acho que não preciso falar mais nada… É preciso dizer, também, que tive ótimos professores durante a minha vida escolar aqui em Carnaúba dos Dantas, na escola pública, que, acreditando nas minhas aptidões, sempre me incentivaram a não parar – de ler e de escrever. Uma professora, a quem sempre rendo meu preito de gratidão, é Alda Alves de Oliveira (a eterna “Tia Alda”), que foi minha professora na Pré-Escola. Foi com ela que eu publiquei o meu primeiro texto, “Felicidade de duas pessoas”, num livrinho que ela organizou, de forma pioneira, em 1985, intitulado “Nossos pensamentos”. Sempre me emociono ao falar disso, pois foi uma oportunidade única que eu e os colegas da minha turma tivemos em meados dos anos de 1980: a possibilidade de publicar um pequeno texto. Aquilo marcou minha vida pra sempre.

DANIEL: Seus livros, todos, tem relação com a história do nosso município ou estado?

HELDER: A maioria, sim. Ao todo, até hoje, publiquei oito livros, sendo quatro de minha autoria e quatro como organizador, inclusive, com outros autores. Os que organizei foram os seguintes: Acari: berço da cultura e religiosidade na saga de um povo hospitaleiro, de 2004 (organizado junto com Muirakytan Macêdo, Inalda Bezerra, Francinete Ferreira, Guia Medeiros, Sérgio Enilton e Francisco Canindé); Ritmos, sons, gostos e tons do Patrimônio Imaterial de Carnaúba dos Dantas, de 2005; Bom Dia Sertões, de 2009 (com Isaura Rosado) e Seridó Potiguar: tempos, espaços, movimentos, de 2011 (junto com Marcos Alves e Rosenilson Santos), que foi lançado no último dia 13 de julho na Livraria Siciliano, em Natal. E os livros que publiquei, de autoria própria, foram: Patrimônio arqueológico em Carnaúba dos Dantas: pesquisas realizadas entre 1924 e 2005 (2009); Carnaúba dos Dantas: raízes, fragmentos e história (2010); Diário do Impronunciável (2010) e Patrimônio arqueológico do Seridó: sítios rupestres em Carnaúba dos Dantas (2010). Desses, apenas o Diário do Impronunciável não é um livro sobre história ou cultura, mas, uma coletânea de crônicas que escrevi entre 2007 e 2010, quando morava entre Natal e Carnaúba dos Dantas. Estou com um livro no prelo, a sair esse ano pela Editora da UFRN, que é a minha dissertação de mestrado sobre história indígena no Seridó e mais alguns livros em preparação para os próximos anos. No meu blog, o Oco-do-Pau de Helder Macedo (http://heldermacedox.wordpress.com), você pode conferir uma sinopse dos meus livros e acompanhar o lançamento dos próximos.

DANIEL: Quantos livros escritos você tem? E para você, qual é o mais importante?

HELDER: Acho que acabei me empolgando e respondendo essa indagação na pergunta anterior: foram oito livros, entre os organizados e aqueles de autoria própria. Todos são muito importantes para mim, mas, no momento, aquele em que eu deposito mais apreço é o Carnaúba dos Dantas: raízes, fragmentos e história, pois é uma síntese (uma versão, melhor dizendo) do processo de formação sociohistórica de meu torrão.

DANIEL: O que é escrever para você?

HELDER: Uma arte. A escrita, para mim, é uma forma de libertação – dos problemas, da história, da realidade caótica que nos cerca, em se tratando das crônicas e das poesias que escrevo (tenho algumas poesias publicadas no blog http://escuromolhado.wordpress.com).  Por outro lado, escrever livros de história e de cultura é algo meio que apaixonante, está no sangue, é até inexplicável. Tem haver um pouco com o sentimento de pertença ao lugar onde se nasceu ou onde se vive(u) – é o meu caso com Carnaúba dos Dantas. Escrevo, afinal, porque sei que existem pessoas que dependem do meu pouco conhecimento. Deixar as ideias engavetadas ou armazenadas em um computador seria, minimamente, leviano.

DANIEL: O que é ser um bom leitor e um bom escritor?

HELDER: Pergunta difícil. Acho que um bom leitor, nos dias de hoje, é aquele que lê sem o compromisso de resolver tarefas, preencher formulários ou mesmo fazer uma pesquisa. É aquele que lê de tudo um pouco: jornais, revistas, blogs, livros, por exemplo. E mais: é aquele que não se apaixona, apenas, pelas notícias curtas e pela facilidade que a internet oferece, indo atrás dos livros de papel. Sim, porque, mesmo em tempos de e-books, i-pads, mp’s e tablets os livros impressos em papel não perderam sua majestade (e, espero, não perderão!). Bom escritor acaba sendo, por conseguinte, aquele que lê bastante e que consegue transpor para o papel suas quimeras, fatalidades, anseios, desejos e problemas. É aquele que brinca com as palavras, constrói castelos no ar com as sílabas da nossa língua e oferece, aos seus leitores, possibilidade de sonhar.

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