TODO DIA É DIA DE ÍNDIO NO RIO GRANDE DO NORTE

Original de Albert Eckhout.

Original de Albert Eckhout.

19 de abril. Em tese, os norte-rio-grandenses não teriam um porquê para estar celebrando o tão aclamado Dia do Índio (algo contraditório, se consideramos que o adjetivo potiguar – usado para designar os nascidos no Rio Grande do Norte – é oriundo do nome da tribo indígena que se encontrava na costa quando os portugueses fincaram seus pés, no início do século XVI). Afinal de contas, até uns anos atrás, o organismo governamental responsável pelas políticas indígena e indigenista no Brasil – a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) –, afirmava que Rio Grande do Norte e Piauí eram os únicos estados da federação sem populações indígenas. Igualmente, historiadores tradicionais que produziram suas obras sobre a história do Rio Grande do Norte até meados dos anos de 1950 afirmaram, categoricamente, que os índios tinham desaparecido da Capitania do Rio Grande após as Guerra dos Bárbaros.

Os tempos mudaram. Novas pesquisas foram realizadas, sobretudo em documentos históricos que mostram índios habitando ao lado de brancos, negros e mestiços mesmo após as Guerras dos Bárbaros. Antigas posturas foram reavaliadas. Homens e mulheres de vários rincões do território norte-rio-grandense, ao rememorarem suas genealogias, indicam a presença de um caboclo-brabo ou cabocla-braba entre os seus avoengos. Índios começaram a aparecer nos censos oficiais no território do Rio Grande do Norte. Comunidades rurais localizadas no litoral e no sertão iniciaram uma reflexão acerca de sua própria identidade/etnicidade, em busca de suas raízes indígenas.

A existência de uma produção bibliográfica e, igualmente, de comunidades organizando-se em busca de sua etnicidade, nos obriga a, pelo menos, refletir sobre a questão indígena no Rio Grande do Norte a partir dos caminhos abertos pela história e pela cultura. De uma coisa podemos ter certeza: os índios não desapareceram do Rio Grande do Norte após as Guerras dos Bárbaros.

Disponibilizamos, abaixo, uma lista de referências (não exaustiva, diga-se de passagem) acerca da temática indígena no Rio Grande do Norte, algumas das quais disponíveis para download.

Referências sobre a questão indígena no Rio Grande do Norte

CAVIGNAC, Julie Antoinette. A etnicidade encoberta: Índios e Negros no Rio Grande do Norte. Mneme – Revista de Humanidades, Caicó, v. 4, n. 8, 2003. Download.

CAVIGNAC, Julie Antoinette. Visões e abusões: patrimônio cultural e questão étnica no Rio Grande do Norte. Iluminuras, v. 22/4, 21p, 2009. Download.

CAVIGNAC, Julie. A índia roubada: estudo comparativo da história e das representações das populações indígenas no Sertão do Rio Grande do Norte. Caderno de História. Natal, EDUFURN, v.2, n.2, p. 83-92, jul/dez. 1995.

GUERRA dos Bárbaros. Curta metragem produzido por Júlia Manta em 2001 (11 min/ 35mm). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=e5duD0qNCrU&gt;. Acesso em: 23 jan. 2011. Download.

GUERRA, Jussara Galhardo Aguirres. Censo do RN mostra presença indígena. Mandato Cidadão – Deputado Mineiro. Disponível em: <http://mineiropt.com.br/publicacoes/censo-do-rn-mostra-presenca-indigena/>. Acesso em: 23 jan. 2011.

GUERRA, Jussara Galhardo Aguirres. Indígenas do Rio Grande do Norte: uma longa história de resistência. Mandato Cidadão – Deputado Mineiro. Disponível em: <http://mineiropt.com.br/publicacoes/indigenas-do-rio-grande-do-norte-uma-longa-historia-de-resistencia/>. Acesso em: 23 jan. 2011.

GUERRA, Jussara Galhardo Aguirres. Mendonça e Eleotério: oralidade, memória e identidade indígena do Rio Grande do Norte. Mandato Cidadão – Deputado Mineiro. Disponível em: <http://mineiropt.com.br/publicacoes/mendonca-e-eleoterio/>. Acesso em: 23 jan. 2011.

GUERRA, Jussara Galhardo Aguirres. Os caminhos e descaminhos da identidade indígena no Rio Grande do Norte. 2007. 217p. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Universidade Federal de Pernambuco. Recife. Download. ou Download (2ª opção).

LIMA, Marcos Galindo. O governo das almas: a expansão colonial no país dos Tapuias – 1651-1798. 2004. 342p. Tese (PhD em História). Universidade de Leiden, Holanda.

LOPES, Fátima Martins. Em nome da liberdade: as vilas de índios do Rio Grande do Norte sob o Diretório Pombalino no século XVIII. 2005. 700p. Tese (Doutorado em História do Brasil). Universidade Federal de Pernambuco. Recife.

LOPES, Fátima Martins. Índios, colonos e missionários na colonização da Capitania do Rio Grande do Norte. Mossoró: Fundação Vingt-Un Rosado, 2003.

LOPES, Fátima Martins. Missões Religiosas: Índios, Colonos e Missionários na colonização da Capitania do Rio Grande do Norte. 1999. 210p. Dissertação de Mestrado (História do Brasil) – Universidade Federal de Pernambuco. Recife.

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MACEDO, Helder Alexandre Medeiros de. Ocidentalização, territórios e populações indígenas no sertão da Capitania do Rio Grande. 2007. 309p. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal. Download ou Download ou Download

MACEDO, Helder Alexandre Medeiros de; MEDEIROS NETA, Olívia Morais de. A questão indígena no Rio Grande do Norte. Natal, 2011. Material didático elaborado para o Curso Técnico de Guia de Turismo à distância – DETED/IFRN/E-tec Brasil, referente à disciplina História do Rio Grande do Norte. Download.

MARIZ, Marlene da Silva. (org.) Repertório de Documentos para a História Indígena existentes no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Mossoró: FVR/ETFRN/UNED; Natal: Secretaria de Educação, Cultura e Desportos do Rio Grande do Norte, 1995.

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